terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Capítulo 1

Um local bem longe da cidade, esquecido por seus governantes. Assim era onde morava Zé. Um local onde o asfalto nunca chegou, e pra se conseguir alguma coisa por ali, tinha quer de charrete, bicicleta ou a pé mesmo.
Zé era plantador de frutas, mas cada dia, estava mais difícil ficar naquele lugar, devido as grandes distâncias que precisava percorrer, pra vender suas frutas.
Zé não conseguiu vender muito bem a ultima plantação, e o dinheiro havia ficado escasso, até pra comprar novo material. Contava muito com a ajuda dos amigos, fazia trocas do que ainda tinha, e assim, ia se virando pra comer. Mas ninguém ali tinha muito.
A família do Zé, pedia demais pra que ele vendesse tudo aquilo, e fossem embora pra cidade, melhorar a vida. Mas Zé, não era bobo. Ele conhecia um pouco da cidade, e sabia como a vida por lá também era difícil. Preferia ficar nas suas terras, onde ele havia conseguido comprar com o suor do seu esforço e de onde jamais pensou em sair.
Procurava soluções pra melhorar, mas em vão. O dinheiro nunca dava.
Pedia a Deus todos os dias, que o ajudasse, mas nada mudava ali.
Um certo dia, depois de mais de dois anos vivendo nessa situação, sua esposa, pegou seus dois filhos e se despediu. Disse ao Zé que tentou de tudo pra que ele fosse também, que eles viveriam na casa de seus pais, na cidade, mas Zé era teimoso e disse pra ela que não. Que uma hora, ele haveria de levantar aquilo tudo ali, e iria conseguir plantar de novo. Mas sua esposa não aguentava mais aquela vida regrada, onde um dia tinha uma coisa a mais pra comer, e no outro só tinha arroz. E partiu pra cidade.
E lá ficou Zé, agora vivendo sozinho, naquelas terras vazias. Sobrara - lhe dois pés de manga, um pé de laranja, 2 pés de limão.
E o tempo foi passando. Zé pensou em plantar alface, plantar tomate, mas onde estava o dinheiro pra recomeçar? Zé procurava uma saída, mas não encontrava.
Parece que o tempo, parou nas terras do Zé.

Um dia, sentado na beirada de sua pequena porteira, pensando se ia embora ou não, viu aproximar um senhor, seus 40 e poucos anos, o qual ele nunca viu por ali. O Senhor, homem distinto, pele morena, queimada de sol, cabelos curtos, chegou perto do Zé e lhe perguntou se ele poderia lhe dar um copo de água, pois, fazia tempo que ele estava andando por ali, e ainda faltava muito pra chegar ao seu destino. Na mesma hora, Zé o convidou pra entrar e perguntou se ele também não estava com fome. Pediu desculpas por só ter arroz pra servir naquele momento. O Senhor, na mesma hora lhe disse, que um prato de arroz pra ele, era um banquete, pois já não comia direito a alguns dias. Ali, ele sentou na mesa e os dois começaram a conversar. Zé perguntou ao senhor, qual era o seu nome, e pro seu espanto, o senhor lhe respondeu: eu sou Deus. Zé riu da coincidência com o cara lá de cima. Como que alguém podia botar o nome de um filho de Deus?  - pensou Zé. Mas ele não quis lhe fazer essa pergunta, pois imaginou que todas as pessoas perguntassem a mesma coisa, e Deus já deveria estar cansado de ouvir a mesma coisa.
Zé nunca foi um homem rico de dinheiro, mas seus pais o criaram muito bem e o ensinaram a ser um menino respeitador, e jamais brincar com a cara de ninguém. O respeito estava sempre em primeiro lugar.







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